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Aparte auriverde: Finanças obpiramidais

A cor verde! Para muitos, a simples mistura do azul com o amarelo, mas é muito mais. É a cor das folhas da maior parte das árvores ou das ervas viçosas. A vegetação; a verdura. Representa a multiplicação, a perpetuação das espécies. Significa o fruto ainda não maduro, a razão de ser e de existir das formas vegetais; a planta que ainda tem seiva, que ainda pode se multiplicar, dar sombra, afagar o Homem nos seus braços centenários e perdoar-lhes todo o sofrimento infringido, a servidão tenra, a vida delicada, dependente, silenciosa.

Hoje o verde é para o homem muito mais do que o recurso natural, ora julgado inesgotável. É a fonte da vida, da esperança... Certeza de uma existência efêmera, necessidade urgente de conservação. É a única maneira de tornar a duração desse estado suportável. O paradoxo do que o modo de viver contemporâneo vende como sendo necessário. É um sonho de liberdade. Liberdade dos povos indígenas, da tribo branca que vive na selva de pedra cinza. O último dos desejos. O sonho de soberania nacional, da autodeterminação dos povos em um lugar onde os extremos são testados diariamente.

Floresta, cerrado, savana, caatinga... Nuanças de verde que retratam a diversidade da vida, da riqueza, da sobrevivência. A adaptação do elo perdido ao mundo real, dolorido, contundido, exterminado pela moto-serra dos ditos civilizados.

Paralelo a esse paradigma, caminha a ciência e a profissão do manejo dos dinheiros. O erário, o tesouro público... Formas de ostentar a situação financeira dos países, dos particulares, das famílias, dos homens... Finanças especulativas dissociadas do verdadeiro “Eu” das nações e dos povos.

Riqueza superficialmente triangular com o anexo, exatamente no meio do lado plano. Glomérulos obpiramidais como no Junco, protegido por uma cápsula como grandes monumentos de base retangular e de quatro faces triangulares, terminados superiormente em ponta. Situações colossais, extraordinárias.

Paralela também está a linha percorrida por um corpo em movimento. Mesmo que esse corpo não tenha base poligonal e superfícies laterais triangulares que têm um ponto comum chamado vértice da pirâmide.

O trajeto piramidal percorrido pelo ser Verde. Verde do dinheiro. Verde da natureza. Verde em oposição ao encarnado, vermelho e afogueado do congestionado. O ser que se ruboriza de cólera ou de indignação, quando o espaço que tem de percorrer em busca da liberdade, do verdadeiro Ser, do natural, do real está obstruído, cercado, bloqueado.

O acúmulo de veículos que dificulta o trânsito da vida atual, prejudica a libertação do homem dos seus temores, das conveniências, do que foi estabelecido. Escraviza a alma, prende o espírito, cessa a imaginação, maltrata os sentimentos, mostra o quão transitório é o crepúsculo, exacerba as características decadentes.

Transforma em prisão o ato de voltar para casa às 19h00, depois de um cansativo dia de trabalho, e enfrentar o inesgotável movimento de pedestres e veículos que transitam nas cidades ou nas estradas. Um engarrafamento infernal que nos esconde o verde das árvores do canteiro central, mas reaviva o sonho de manter nossas finanças com superávit. A qualquer custo. A qualquer hora. Sempre! Não importando como. Mas tem que ser rápido, o suficiente, para nos tirar da rotina.

 

Editorial RCentrium

 

 

 

 

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