31-10-03 – A
“in” segurança pública está na mira do povo potiguar
O problema da insegurança no Rio Grande do Norte é um dos
pontos mais delicados da administração executiva do Estado. O
aumento dos índices de criminalidade vem se acumulando há anos
seguidos.
O diagnóstico da questão da Segurança Pública no Brasil revela
o crescimento contínuo da criminalidade e da violência a
partir dos anos 70, gerado ou agravado por uma série de
fatores, tais como: aumento da população jovem; taxas elevadas
de desemprego; manutenção das desigualdades sociais;
crescimento do crime organizado; a falta de articulação entre
as polícias dos Estados e destas com a esfera federal; a
insuficiência do Judiciário e Ministério Público; a falta de
treinamento e de remuneração adequada aos profissionais da
segurança pública; as violações aos direitos fundamentais dos
cidadãos na rotina de policiamento e de investigação criminal;
a falta crônica de vagas no sistema carcerário e leis penais
antiquadas para a realidade do crime organizado.
O Rio Grande do Norte registrou o crescimento da criminalidade
à razão de 16% ao ano. Esses dados estatísticos colocaram a
cidade de Natal entre as capitais nordestinas com o maior
número de ocorrências, com dados de lesões corporais atingindo
uma média de 270 casos por 100.000 habitantes.
Em 2002, o maior número de crimes registrados no interior do
RN foi na cidade de Mossoró, com 5.226 registros, cerca de 15%
do total. Na cidade de Caicó constatou-se a ocorrência de 14%
dos crimes, sendo seguida pelas cidades de Nova Cruz e Açu,
com uma média de 9% em cada uma das cidades. Na Grande Natal
foram identificadas como áreas críticas os municípios de São
José de Mipibu, de Ceará Mirim e de Parnamirim. Na capital, o
maior número de crimes foi registrado nos bairros de
Candelária e de Nova Descoberta. A área que abrange os bairros
de Cidade da Esperança, do Bom Pastor e de Dix-Sept Rosado
figura em segundo lugar. Em terceiro aparecem os bairros de
Lagoa Seca, de Barro Vermelho e do Alecrim. Os menores índices
de crimes registrados foram os referentes aos bairros de
Neópolis, da Redinha e de Ponta Negra. Na Zona Norte de Natal,
a área de maior incidência de crimes abrange os bairros de
Igapó, de Nossa Senhora da Apresentação e parte do Distrito
Industrial.
Segundo a mais recente pesquisa FIERN/CONSULT, ouvindo 1.725
pessoas em todas as regiões do Estado potiguar, no período de
22 a 28 de setembro, 68,93% dos norte-rio-grandenses
consideram a falta segurança como sendo o segundo maior
problema enfrentado pelo Estado. Em relação aos serviços
públicos avaliados, a segurança obteve a maior taxa de
desaprovação.
A
preocupação com a segurança pública tem crescimento
diretamente proporcional ao incremento das estatísticas de
assaltos, de assassinatos, lesões corporais e de estupros. Os
números passaram de 17,5% no primeiro trimestre de 2003, para
20,1% no segundo, e fechou em 20,2% no terceiro trimestre do
ano.
Os dados estaduais são preocupantes, mas quando as informações
coletadas em Natal são isoladas, o resultado é ainda mais
contundente: 82,26% dos natalenses não aprovam a política de
segurança pública desenvolvida pelo governo estadual.
Para
enfrentar essa dura realidade, a Secretaria de Estado da
Defesa Social elaborou e, está implantando, o
Plano Estadual de Segurança Pública. O objetivo é de criar no
Rio Grande do Norte a infra-estrutura necessária ao
funcionamento do segundo Gabinete de Gestão Integrada da
Segurança Pública no país - o primeiro foi instalado no Rio
Grande do Sul – e providenciar as condições para o
funcionamento do dispositivo que será coordenado pela
Secretaria da Defesa Social com apoio da Polícia Militar, do
ITEP, do Corpo de Bombeiros, da Secretaria da Tributação, da
Secretaria de Justiça e Cidadania, do Tribunal de Justiça, do
Ministério Público Estadual, das Polícias Federal e Rodoviária
Federal e da Procuradoria Geral da República.
Somente este ano, a SDS investiu mais R$ 1,2 milhões na
reforma e na construção de delegacias e presídios no Estado
potiguar. Dez obras de delegacias e cinco de penitenciárias
que estavam paralisadas desde o ano de 2002 foram finalmente
concluídas.
Correndo contra o tempo, foram terminadas ainda as obras das
delegacias dos municípios de Caicó e de Canguaretama, da DEFUR,
de Mossoró, e as reformas e recuperações das instalações da
DECAP, da 7ª DP, da Corregedoria, de Natal, e de três
pavilhões da Penitenciária de Alcaçuz, em Nísia Floresta.
Ainda estão em andamento, as obras de 17 outras unidades.
As primeiras seis bases do programa Polícia do Bairro - Nova
Natal, Parque das Dunas, Gramoré, Planície das Mangueiras,
Jardim Progresso e Parque dos Coqueiros - estão com 50% das
obras realizadas e os processos licitatórios para a construção
da segunda etapa do programa que beneficiará aos bairros de
Felipe Camarão, Bom Pastor, Soledade II, Ponta Negra, Alvorada
e Amarante, já foi aberto.
O programa Polícia do Bairro é uma forma de atuação na área de
segurança pública baseada na filosofia de que as polícias
desenvolvam em conjunto com os moradores, atividades que
permitam a localização das causas que geram a violência e o
crime e, conseqüentemente, o medo da violência e a decadência
do bairro, tais como: às drogas, às desavenças entre vizinhos
e os problemas familiares, com o objetivo de desenvolver
atividades sócio-educativas e de patrulhamento ostensivo.
Através de estudos estatísticos e sociológicos que identificam
as características geográficas, sociais e políticas de cada
região estão sendo planejadas estratégias para a atuação
ostensiva do policiamento nos horários e locais identificados
como sendo os mais propícios para o aparecimento da violência
e do crime no Rio Grande do Norte. Dessa forma espera-se
reverter, gradualmente, mês a mês, os índices de
violência no Estado.
A zona norte de Natal, que abriga cerca de 1/3 da população da
capital, já registra uma queda de 42% nas ocorrências
policiais entre o início do mês de julho e o mês agosto de
2003. Para a governadora Wilma de Faria “é uma questão de
honra” melhorar os serviços de segurança pública naquela área.
Para enfrentar a dura realidade da “in” segurança pública,
estão sendo contratados 2.000 novos soldados para a Polícia
Militar, que aos poucos vai sendo aparelhada para dar combate
à violência e à criminalidade.
Em 2004, o governo deverá erguer 25 novas bases do Polícia do
Bairro em Natal, em Pau dos Ferros, em Nova Cruz, em Santa
Cruz, em Mossoró e em Açu. A Defesa Social também está
licitando a compra de 130 motocicletas para reforçar o
policiamento. E pelo menos 230 viaturas novas vão chegar até o
final de 2003 a fim de suprir a deficiência material das
forças de segurança pública do RN. A Secretaria vai adquirir
20 viaturas para o policiamento das praias de Tibau a Baía
Formosa e vai renovar seis bugres para facilitar o acesso da
segurança às praias. A frota da SDS é de 800 automóveis, que
precisam ser renovados a cada dois anos.Vinte e sete
delegacias passam por serviços de reforma ou recuperação e
também existe um projeto para informatizar delegacias e
batalhões da Polícia Militar e qualificar 600 policiais,
somente este ano.
Estudos comprovam que tratar os efeitos da violência e do
crime é dispendioso e pouco relevante, se levarmos em
consideração os gastos com as vítimas, com os criminosos, com
as famílias das vítimas e dos criminosos, além dos gastos com
a mobilização do aparato policial. Em contra-partida,
verifica-se que às atividades de prevenção à violência e ao
crime e, de promoção da cidadania, são eficazes na manutenção
da paz social.
A sociedade norte-rio-grandense cobra dos seus
governantes ações urgentes e eficazes de combate a um dos
problemas sociais mais absurdos que existem.
Poder público tenta retomar as rédeas da
segurança em PE
A redução da criminalidade e da violência e a
garantia da segurança dos cidadãos são hoje um dos grandes
desafios tanto para os gestores federais, estaduais e
municipais, como para a sociedade. A violência atinge níveis
epidêmicos em algumas regiões do Brasil. O crime organizado
corrompe e enfraquece as organizações públicas e privadas, até
mesmo as responsáveis pelo controle da criminalidade e da
violência. A sociedade hoje tem pouca confiança nas
organizações policiais e no sistema de justiça criminal.
As políticas públicas, programas e projetos do Estado deverão
observar valores preconizados e consubstanciados pela moral,
ética, dignidade e respeito aos direitos humanos. Os
profissionais de segurança pública deverão ser preparados para
atuar nessa filosofia e desenvolver as suas ações com técnica,
capacitação e responsabilidade.
Partindo desta premissa, os órgãos de segurança pública buscam
implantar uma cultura de qualidade no serviço, através da
racionalização dos seus meios, modernização administrativa, da
otimização dos custos e da efetiva utilização dos recursos
humanos, materiais, financeiros e tecnológicos disponíveis.
Em discussões sobre as melhores e mais modernas maneiras de
combater a violência, pelo menos uma questão desponta como
unanimidade entre os especialistas: a integração entre as
polícias ostensiva – militar - e judiciária - civil. Em
Pernambuco, foi justamente calcada neste conceito que surgiu a
Secretaria de Defesa Social.
Com o advento da secretaria, as polícias Civil e Militar, além
da Polícia Científica e do Corpo de Bombeiros Militar,
começaram a ter suas ações e operações vinculadas a um único
centro de decisões, passando a atuar de maneira mais integrada
e harmônica.
Isso será possível através da troca de experiências, que
permite o traçado de um "mapa de força" regional, melhorando a
integração entre os órgãos policiais dos estados. O primeiro
passo nessa direção foi a formação do Conselho de Segurança do
Nordeste. As reuniões do CONSENE servem como espaço para troca
de experiências e para a integração das ações policiais dos
estados participantes. Nesses encontros são discutidos os
problemas comuns dos estado para se chegar a soluções
compartilhadas, como por exemplo mudanças legislativas,
padronização de procedimentos e operações de fronteira.
Essa articulação interestadual está sendo estimulada pela
criação de um "grupo de articuladores". Cada estado nordestino
indicou um oficial da Polícia Militar e um delegado da Polícia
Civil para servir de elo entre os diferentes estados. Os
conselheiros também se preocupam com o repasse e o
gerenciamento dos recursos federais oriundos do Plano Nacional
de Segurança Pública. Essas verbas são essenciais para o
reaparelhamento das polícias e para a implantação de novos
programas de combate à criminalidade, à violência e de
inclusão social.
Os secretários estaduais também estão conhecendo ações
inovadoras que foram adotadas para combater a criminalidade e
a violência. Um dos grandes destaques foram a inovações
apresentadas por Pernambuco, que desenvolveu sistemas de alta
tecnologia, como o Mapeamento Criminal Georreferenciado, o
Boletim de Ocorrência Eletrônico, o InfoCel/InfoMov e o
Alerta.
A grande preocupação do governo pernambucano é de reduzir os
números de homicídios registrados pelo Instituto de Medicina
Legal no Estado. Em 2001, foram 2.626 registros e em 2002,
2.506 registros.
A
Secretaria de Defesa Social, juntamente com os Órgãos
Operativos, vem coordenando a implantação de vários projetos,
direcionados tanto à atividade-fim de polícia quanto ao
auxílio à gerência administrativa. Um dos mais importantes é o
do Policiamento Comunitário, que busca aproximar polícia e
comunidade.
A
estrutura organizacional da instituição é constituída por
Órgão de Direção Superior, Órgãos de Apoio e Assessoramento
Superior, de Controle Essencial, de Assistência Direta ao
Secretário, de Assistência ao Sistema, de Apoio
Administrativo, de Apoio Executivo, Órgãos Operativos e
Colegiado. O corpo administrativo é formado por profissionais
preparados para o exercício da função.
Para facilitar o trabalho da Polícia, o governo pernambucano
instalou diversos programas que têm o intuito de reduzir os
índices de violência e criminalidade, entre eles o
Disque-Denúncia - (81) 3421-9595 - usado para cooptar a ajuda
da população nas ações de captura de pessoas procuradas pela
Justiça. O serviço funciona 24 horas por dia e paga
recompensas por informações que ajudem a localizar os
foragidos. A identidade do denunciante e mantida sob sigilo.
Além do Disque Denúncia, outras ações diversificam a atuação
policial no estado.
A Operação Paz nas Estradas, iniciada em 1999, está levando
mais segurança às estradas federais, estaduais e vicinais com
a realização de bloqueios policiais. Com a operação, o índice
de assaltos a ônibus nas vias do agreste e do sertão já
diminuiu em 30%.
O programa Paz nas Comunidades já atendeu a mais de 80 mil
pessoas moradoras de comunidades carentes do Grande Recife. O
projeto oferece atendimento médico e odontológico, com
distribuição gratuita de remédios, além de atividades
recreativas para crianças e adolescentes.
Já o projeto estadual que instala Núcleos de Segurança
Comunitária utiliza a mais nova concepção de segurança que é a
Polícia Comunitária. Os núcleos não funcionam como delegacias
e sim centrais de atendimento à população, em plantão
permanente. Além da polícia militar, essas instâncias reúnem
a polícia civil e o corpo de bombeiros.
O Governo do Estado já investiu perto de R$ 1,7 milhão na
construção e reforma de delegacias em todo o estado. Também
foram nomeados, em 2003, 47 novos delegados de polícia para o
interior do estado. Fazendo com que todos os municípios
pernambucanos tenham um delegado titular.
O Centro Integrado de Operações de Defesa Social foi criado
para atender à população a partir de ações conjuntas das
polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros. O CIODS
também é responsável por acionar e fiscalizar a execução das
atividades das polícias e por fornecer dados atualizados,
facilitando o planejamento das ações de segurança pública.
O Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil conta com
novos armamentos e estrutura completa para combater casos
criminais específicos.
O Estado de Pernambuco enfrenta uma dura realidade de
insegurança e violência. No interior do estado, continuam as
ocorrências corriqueiras de grupos de extermínio e matadores
de aluguel. Na Grande Recife, um conglomerado de cidades, a
população sofre com a violência urbana e a miséria. Fatores
que só contribuem para a decadência da qualidade de vida, o
incremento da lucrativa atividade da segurança particular e o
aprisionamento das famílias em condomínios fechados, em casas
e em edifícios protegidos por cercas eletrificadas e pessoas
presas ao medo e à insegurança.